Meu Filho come mal, o que fazer? Ou não…

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A pior parte de ser mãe é se deparar com seu filho pequeno que come mal. As táticas não funcionam, os conselhos não ajudam...então, o que fazer?
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Meu filho come mal

MEU FILHO COME MAL. O QUE EU FAÇO??

Sou Nutricionista e me culpo: meu filho come mal! Questiono, primeiro de tudo, em como pude deixar isso acontecer.
Mas agora, com 10 anos, meu filho come mal! Aliás, muito.Inesperadamente isso mudou. Começou por volta dos 5 anos com as re
Inesperadamente isso mudou. Começou por volta dos 5 anos com as recusas.
”Não gosto disso, não quero aquilo, não gosto de coisa verde”.

Igualmente a regra de um prato colorido, é contestada diariamente. Com ele não funciona.

Mesmo que eu ofereça várias frutas só gosta de 3: pera, manga, banana.
Contudo sempre ofereci alimentos saudáveis e ele comia de tudo. Por ficar comigo no trabalho conheceu os todos os alimentos.
Gostava de muitas frutas antes. Adorava mamão…hoje tem náuseas ao ver ou sentir o cheiro da fruta.
Alimenta-se em quantidade adequada, desde que o prato só tenha arroz, feijão, carne e eventualmente, cenoura. Não aceita nada diferente.
Então, o que fazer?

Antes…outra história

Tenho outro filho mais velho e uma outra história.
Ele tinha 6 meses, chegando ao fim minha licença maternidade.
Já havia iniciado a introdução de alimentos, porque minha jornada de trabalho era extensa.
O responsável por cuidar do bebê seria o pai, que estava desempregado.

Surpreendentemente, sem aviso prévio, o pai foi trabalhar em outro estado, quatro dias antes de meu retorno.

Eu fiquei atordoada, não sabia o que fazer com o bebê, como voltar para o trabalho, e me reorganizar neste tempo.
Não haviam familiares que pudessem ou….quiseram ajudar.

Indicaram-me uma pessoa que estava chegando da Paraíba em 2 dias, precisando de lugar para morar. Aceitei na hora.

Pedi uma semana de folga para organizar….e começou meu drama: meu filho parou de comer.

E assim recomeçamos.

Passava o dia todo somente com leite materno e leite em pó. Não aceitava frutas amassadas, mingaus…nada.
Qualquer alimento com tempero e salgado provoca náusea.
Ao chegar do trabalho oferecia o peito por horas. Enchia as mamadeiras e ia trabalhar. Amamentei até 1,6 anos.
Certamente, não havia fórmula ou estratégia que o fizesse mastigar e engolir algo sólido.
Assim, eu só pensava: meu filho come mal e não sei o que fazer.
O pediatra e profissionais diziam que houve um trauma pela ausência abrupta dos genitores, e ele precisou ficar com estranhos.
meu filho come mal
Teria que começar novamente a introdução dos alimentos, com paciência e cuidado para evitar mais traumas.
Naturalmente todos tinham uma opinião ou um conselho.
A mais ouvida era para deixar sem comer, que uma hora a fome viria. Mas não vinha. Nada funcionava.

O longo Processo

Oferecia eventualmente alimentos pastosos e aceitou alguns. Alimentos salgados nesta época, nenhum. Acreditem!
Além disso, não comia nada sem cheirar antes, e somente se o cheiro fosse agradável.
Aliás, era como se o paladar estivesse atrelado ao olfato.
Decidi fazer sopa líquida sem sal e dar na mamadeira, para acostumar com o sabor. Isso para que não cheirasse.
Inesperadamente, o cheiro do leite passou a ser ruim, e para fazê-lo ingerir, só após dormir.
Aos 11 meses comeu um prato de sopa com legumes e carne triturado. Os dentes eram bem formados, mas não mastigava.
O Pediatra dizia: melhor isso do que só tomar leite. Fui me convencendo a deixar passar. Só que não passou.
Com insistência evoluímos para pequenos pedaços de legumes cozidos.
Aos 2 anos já comia arroz, legumes e carne desfiada tudo umedecido pelo caldo do feijão.

Então, o que NÃO fazer?

Percebi que meu filho tinha uma total inapetência para a alimentação. Ele detestava comer, não sentia vontade.
Meu filho come mal. Eu o obrigava a comer. Ficava preso na cadeirinha até terminar o pequeno prato.
Hoje entendo que foi um erro. Mas alimentá-lo era tipo “missão impossível”. Esse processo chegava a passar de 1:30 hs.
Consequentemente, esses momentos do dia eram de muito stress para nós dois. Para mim, massacrante.
Tudo o que eu o obrigava a comer, ele comia até o fim, do jeito dele, para sair da cadeirinha-castigo.
Mas depois de finalizado a refeição, ele simplesmente provocava vomito e punha para fora toda a refeição, quando ficou maior
meu filho come mal
Muitos meses e especialistas, sem nenhum identificar transtorno alimentar. Para a maioria era questão de personalidade.
Ele não queria, eu forçava, ele reagia.

Nem toda regra funciona

Apliquei todas as instruções que recebi de profissionais e assisti todas falharem.

Passei a negociar com o terrorista de 3 anos a quantidade em colheres, para cada refeição. Posteriormente iria aumentando.

Eu carregava um peso enorme, uma culpa que me perseguia diariamente.
Para mudar o cenário, nos finais de semana eu o levava em lanchonetes, restaurantes.
Nem mesmo o fast food mais popular entre as crianças fazia sucesso com ele.

Por conta do problema com o cheiro das comidas, para sair eu tinha que levar marmitinha dele.

Pois havia intolerância a temperos e cheiros, como já citei.
A minha frustração era enorme e eu me sentia sozinha para enfrentar isso.
Com o tempo…e muita reflexão, comecei a entender que devia respeitar os limites pessoais do meu filho.
Deixar de lado conceitos profissionais e voltar para o pessoal. Ele me via chateada e se culpava por me deixar triste.
Percebi que não era tudo intencional, alguma parte nele o fazia reagir assim.

Como encontrar parcerias, ou não…

Portanto, para ele frequentar a escola, fiz alguns ajustes.
Negociar com a diretora e nutricionista da escola, por ser aluno do integral, o cheiro das refeições era um problema. Portanto, para ele frequentar a escola, fiz alguns ajustes.
A escola não aceitava que era uma exceção, coisa muito comum. Mesmo quando existe a intolerância real e comprovada.
Notei que essas instituições não querem ter exceções. Nem crianças especiais ou casos parecidos.
Como se fosse possível um mundo assim, só com regras, sem exceções.
Minha sorte foi a escola ter padrões militares, eu ter noção de cadeia de comando. Mas nem todas as mães tem isso.
Conforme crescia, avançávamos na negociação e alguns dias a refeição era completa.
Percebi que a técnica de troca era mais produtiva e funcionava melhor.

Por fim, a solução

meu filho come mal
Por mais que pareça, não foi fácil. Trilhei caminhos obscuros até uns 6 anos, quando os sintomas, inesperadamente, foram desaparecendo.
A alimentação era normal e comia até alface e agrião sem tempero, segurando pelo talo.
Hoje eu brigo para ele PARAR de comer.

Voltando ao primeiro caso: o pequeno se deu bem!

Explico a finalidade e os benefícios de cada alimento. Se ele aceita muito bom, se recusa, não insisto, não brigo.

Não tenho tempo, determinação ou paciência para a guerra de antes. nós também amadurecemos.

O prato considerado satisfatório é arroz, feijão e carne todos os dias.
Os legumes são apenas cenoura, chuchu e batata revezados. Salada somente de tomate com pouca alface.
Nas frutas, acrescentamos mexerica, uva, melancia.
Verdura refogada somente a couve.

Minha conclusão

As duas situações envolveram a alimentação de meus filhos. A diferença foi minha atitude.
Não pretendo fazer uma recomendação profissional, mas dizer que alimentar criança é fácil, é algo difícil para eu aceitar.
Faço aqui um relato de minha experiência como mãe.
A situação atual não é ideal em termos nutricionais, mas não me culpo como antes.
Entendo que quantitativamente a alimentação dele é satisfatória. Come o que gosta com vontade e bem.
Fisicamente é saudável e não tem deficiência de nutrientes.
Vivo melhor com meu filho, com diálogo, sem o estresse e aos poucos a resistência aos alimentos vai diminuindo.
O meu filho mais velho não teve mais dificuldade. Segue uma alimentação saudável agora. Ainda detesta leite e sopa….porque será?
Continuo monitorando e tentando evoluir com o pequeno; agora me sinto em paz como estamos.

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