Crianças na cozinha, porque não? Entenda!

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Crianças na cozinha, porque não?

Muito se discutiu sobre colocar ou não crianças na cozinha para cozinhar, por impor riscos às crianças, sendo o maior deles as queimaduras. 

Porém, os desafios de nosso tempo, obrigam  os pais a transferirem  obrigações aos seus filhos, para que consigam conciliar suas atividades profissionais e a vida doméstica.

No passado era muito comum em uma família grande, que as responsabilidades dos pais fossem delegadas ao filho(a) mais velho, entre elas, cozinhar.

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Porém, acidentes graves e até fatais e lesões permanentes, foram criando nos pais o receio de manter as crianças sozinhas em casa, e na sociedade a consciência de que essa situação deveria ser evitada ao máximo.

Ao longo de minha primeira jornada como mãe, que já data de 22 anos, e em carreira solo, fui muitas vezes surpreendida por situações inusitadas.

E a única saída que tive foi atribuir tarefas domésticas para meu filho. 
Desta forma eu consegui dar conta de uma jornada de trabalho que chegava a 12 horas diárias.

Muitas mulheres hoje em dia, casadas ou que estejam criando seus filhos sozinhas, enfrentam a mesma situação. 

Horários de trabalho extensos, distância do local de trabalho e trânsito sempre causaram transtornos em minha vida pessoal. Meu filho chegava em casa sempre antes de mim, muitas vezes com fome e tinha que se virar para comer.

Assim, logo na primeira infância dele, percebi que seria importante para minha tranquilidade emocional, qualificar meu filho para a operação na cozinha. 

Isso ocorreu porque financeiramente eu não tinha condições de mantê-lo sob cuidados de terceiros.

Como minimizar os infinitos riscos com crianças na cozinha?

O caminho que encontrei para colocar uma criança na cozinha e não criar um tsunami, foi um diálogo franco e aberto.

Neste diálogo fui detalhando em linguagem apropriada para a idade, todos os riscos, um a um. Com segurança para que ele pudesse colocar as mãozinhas na primeira faca ou mesmo acender um chama do fogão.

Transformei cada dia de treinamento em uma oportunidade para estarmos juntos, e por isso nos aproximamos…

Ao mesmo tempo, fizemos a nossa tarefa mais suave e menos tensa.

Um grande aliado na cozinha é o micro-ondas. 

Ele deve ser colocado em uma altura que permita a criança olhar seu interior, já que reduz risco de queimadura ou acidente. 

Após passar as funções e detalhar o funcionamento, as crianças assim ficam aptas a utilizá-lo com mínimo risco.

No freezer ficavam os potes adequados para micro-ondas com os alimentos já preparados e na quantidade suficiente para ele.

Desta maneira fui reduzindo o manuseio de utensílios de cozinha e como resultado aumentei a minha tranquilidade.

Ao notar sua evolução em cada etapa, ele era presenteado com uma “missão maior” e isso trouxe entusiasmo e motivação. 

E aos poucos fui transferindo para o uso do fogão, ao notar que sua altura já permitia.

Assim conforme foi crescendo, aprendeu a fazer o arroz, grelhar um filé de frango, fritar um bife, esquentar o legume e a verdura e aos poucos fomos afastando os fantasmas que nos rondavam.

É o ideal? Exemplo a ser seguido? Não sei!

Criar um filho sozinha é tarefa dura e não existe cartilha ou manual que nos prepare para o inesperado. 

O que temos que ter em mente como pais e responsáveis é sempre o bom senso.
Ninguém é igual a ninguém.
Existem crianças com personalidade que de forma alguma permitem esse tipo de atribuição que passei ao meu filho.
Cabe a cada família avaliar a criança, sua disposição em aprender, sua curiosidade, fatores imprescindíveis para tal tarefa.

Resultados: Crianças na Cozinha

O que sei é que nunca tivemos acidentes domésticos com crianças na cozinha. 

E atribuo isso ao fato de bem precocemente eu ter ajudado a desenvolver o senso de responsabilidade em meu filho. 

Aquela noção de que nossas ações geram consequências e que alguns lugares da casa, não são apropriados para brincadeiras.

Atualmente repito a mesma técnica com o meu filho mais novo de 10 anos. Neste caso, com obrigações profissionais, uma vez que ele me ajuda diariamente na elaboração das refeições para meus clientes. 

De personalidade forte, determinado, focado e muita capacidade cognitiva, em termos motores ele é extremamente atrapalhado…

Quebra, derruba, suja…Cria em alguns momentos um caos na operação. 

Mas adora o fato de ser profissional como brincamos, e não aceita ser retirado da tarefa.

Ambos adoram cozinhar, mostrar suas especialidades e assistir a família degustando os pratos que prepararam, o que me acalma e consola. 

Penso que não estarei com eles a vida toda e que dificilmente suas esposas não trabalharão fora.
Sendo assim, colocarei no mercado dois homens que sabem e podem ajudar as mulheres na cozinha, ainda bem!

Ao introduzir minha criança na cozinha, recebi muitas críticas e pessoas questionando como tinha coragem. 

O problema nunca foi esse, e sim falta total e completa de opção.

Crianças na cozinha para mim, deu certo!

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